<i>El País</i> reduz um terço do pessoal

O diário espanhol El País anunciou, dia 5, que irá reduzir em cerca de 30 por cento os respectivos quadros de pessoal, tendo para isso apresentado, anteontem, terça-feira, o Expediente de Regulação de Emprego (ERE), mecanismo que permite às empresas em dificuldades proceder a despedimentos ou à suspensão de trabalhadores.

Em comunicado, o presidente do grupo do Prisa, proprietário do jornal, Juan Luis Cebrián, informou os trabalhadores e a direcção do órgão de imprensa de que a decisão incidirá sobre as várias delegações regionais, bem como sobre as redacções de Madrid e Barcelona.

Além dos cortes de pessoal, entre 130 e 150 jornalistas, o grupo Prisa quer baixar salários, reduzir os custos de elaboração do jornal e aplicar um plano de pré-reformas.

Os trabalhadores recusam a pré-reforma aos 50 anos, notando que a idade média dos quadros de pessoal é de 53 anos.

O grupo justifica as medidas com a «crise sem precedentes no sector dos media impressos», que se traduz na queda das receitas da publicidade. «Não podemos continuar a viver tão bem», escreveu Cebrián.

A crise que afecta os órgãos de comunicação já levou ao despedimento de mais de seis mil jornalistas nos últimos anos, segundo dados da Federação das Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE).

Em Agosto, a Federação calculou que o número de jornalistas desempregados deveria elevar-se para oito mil até finais de Setembro. Desde 2008, já encerraram em Espanha 57 órgãos de comunicação.

Só o império Prisa despediu, nos últimos dois anos, 2600 pessoas no conjunto das suas empresas. A braços com uma dívida de quatro mil milhões de euros, o grupo caiu sob o controlo do fundo norte-americano de investimento Liberty, o que se traduziu na adopção de uma linha editorial mais conservadora.



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